Sexta-feira, Março 9

Assinado, Morte


é uma célula ou o Universo?

Vou e não levo nada
porque do nada vim
nele me ergui
mas pouco gerou
Vou, mas não quero nada
porque nada trouxe
o que tinha, cabou-se
e nem cinza restou.

Cabe só o tanto
do tamanho de cada alma.
E é tudo que levamos...
O resto é ilusão concreta
da matéria que revela
apego sem sentido
preso às mãos.

VIDAMORTE


ps: quis colocar um ps explicativo nesse texto,
mas uma esquizofrênica literária perderia seu título
se o fizesse. Portanto, não o farei.

Segunda-feira, Fevereiro 27

No que você está pensando?



Depois de velha, dei pra chorar por mais de uma coisa ao mesmo tempo. E não entendo. Não há ordem que caiba nas coisas que roem o estômago. Não há ordem que possa caber na obediência da emoção, porque a emoção nunca obedece. E sobre isso ainda não sei se é bom ou ruim.

É tanta chuva que não se aguenta estar só debaixo dela. Espera-se que alguém possa, com você, pisar nas poças. E chutar a água, e molhar a roupa também. A probabilidade de encontrar alguém que possa compartilhar isso de verdade, sintetizando o que se sente numa rede social, qual é?

Mas é preciso falar.
Gritar, ensaiar, vomitar.
Laborar, tecer, endoidar.
E assim alguém [curte].

Depois de  [curtir] o couro da alma, faço um gibão bem enfeitado e vou só, por dentro dos meus arbustos espinhados que por vezes rasgam-me o peito.

[Curtir] · · [Compartilhar] · · [Excluir]

poeira ☼´estelar : : º


Palavras que são pipas,
Com 3/4 de papel
Os olhos deslumbrados
Vê as estrelas, sem o céu 
A poeira dos cometas 
Que batem sem prever 
Desleixam meu mundo simples 
Que há eras sobrevive 
Escondidos no meu ser 
Teu céu tem mais poeira 
Que estrelas pra contar 
Sei lá, mas esse papo sem assunto 
Os vícios desse mundo 
Me dão uma preguiça retada...

Luz Marina


A Luz da Marina Desfocou
Mexeu, virou, saiu do meu barco
Ancoradouro raso
Não sei mais onde aportar...


A Luz da Marina Apagou
Virou, mexeu, esqueceu do meu barco
Esse casco ainda frágil
Vai meter-se em tempestade...



A Luz, Marina, era tudo
Pois quando se saber onde chegar
O alvo precisa estar claro
Iluminado, calmo feito o Mar...


Mas no teu foi onde naufraguei
Nadei e a Luz ressurgia
Cegou, me perdi de vez
E na tua Luz, Marina,
Nunca mais pude enxergar...


Pós Embriaguez de mim



faça me o favor
de trazer um café
forte, amargo e quente
fervente, como meu sentimento.
faça me o favor
de sair por um instante
deixar me criar
desentulhar cada coisa aos poucos

por favor, não vá longe
que volto já, é num rompante
enquanto alimento a paz
e te encontro mais uma vez,

mas me traga um café
pra limpar o aroma desse ar
pra concentrar o sabor na boca
lavar minhas papilas, antes do teu beijo.