Domingo, Novembro 8

Das Dores


Das Dores nem sentia mais
Angústias que guardava em si
Com seu rosto frio explicava
Coisas que não precisavam
De nenhum pingo de razão.
Suas dores não gritavam mais .
Queria mais que entendimento.
Isso, em cada choro guardado no peito
Já havia alcançado, agora era passado
E hoje o esperado era agir.
Da Dores desfez as amarras
Seguiu para o campo de flores espinhosas
Passava sem medo entre as braçadas
Sentia sua pele-alma ferida.
Mentia, mas as verdades escapavam
Mesmo sem querer, sem precisar..
Hoje todas foram libertadas
Das Dores saiu dentre as flores
Cheia de marcas e um sorriso intruso
Sangrando e de lágrimas velozes..
Batismo segundo, e necessário
Como Das Dores tantos outros
De vestido rasgado, peito sangrando
Mas na cara, um sorriso de ouro
Que nunca trocaria por nada
Nem pra salvar o vestido
Nem manter a pele alva.
Das dores, os sorrisos largos
E a compreensão de ser autenticamente humano

Quinta-feira, Outubro 22

Frases Sem Efeito



Quem tem medo das frases de efeito, Daquelas que apertam e nos trazem culpa? Quem tem medo das frases prontas ditas por gente ainda mais tonta que tem nas mãos as regrinhas da vida? Ah, minha sorte querida parece que a todo tempo te jogo no lixo. Não faço nada que sirva. Não presta nada que sinto. As frases feitas correm atrás de mim.. Lições demais, nenhuma vai servir! Por isso fico com meus aforismas originais. Os textos de moral, que importa ser do bem ou ser do mal, afinal tudo podemos ser? Ai, ai, ai que preguiça da vida. Irrita! Assim como livros de auto ajuda, não funcionam justamente por achar que somos todos tão iguais e queremos mais ou menos as mesmas coisas. Ilusão! Quem sabe mais? Quem sabe menos? Frases (sinto muito) sem efeito. Não mandem pra mim esse tipo de email, pois o destino será, sem pensar, a lixeira. Criem seus próprios aforismas de viver. Não precisa viver das frases feitas dos outros.

Segunda-feira, Outubro 5

22


Mais um aniversário:
No tempo de Chronus
Ou no tempo de Kairos?
Dentro dos números
Que contam minha idade
Ou na intuição
Que dentro de mim
Guarda o que é importante?
Mais um aniversário.
Um número somado que traz nostalgia.
Mais perto de onde?
Mais longe de quem?
O que temos para comemorar?
Uma feliz Vida,
Bons amigos e amigas.
Uma alguém para amar,
Um cachorro com TOC,
Um CD bom de rock,
Um violão pra arranhar.


F e l i Z   V i d A !

Sexta-feira, Outubro 2

Baús



Baús velhos destrancados
No meio do sótão, enferrujados
Eu tropeço ignorando depressa

Ali dentro, alguma importância?
Baús dentro da alma
Sentimento empoeirados
Velhos, rasgados
Dia de faxina!
A chave não abre
Escada abaixo, desaba
Sem tampa tudo ressurge..
Mas esse amarelo nas cartas
Metade dos diários destruídos
Coisas que nem lembrava mais.
Coisas que se perderam sem volta

Baús velhos, hoje eu posso ver além
Daquele seu fundo falso.
Dia de queimar o passado..
Sem alguma importância?
De fato, um resgate mal feito
De um ensaio que não terminou.
Folhas soltas, papel mofado..
Relendo, entre linhas, alguma verdade
Mas muita coisa que não dá mais para ler..
Quer saber?



Fogo..


Fumaça..


Fim.



E como não existe mais baú
Não há espaço para mais nada..
Sotão arrumado,
Faxina realizada.

Quarta-feira, Setembro 16

N0t4: Os motivos de escrever








Estive pensando no Cont4s V3rbai5. No início era o verbo. Depois as contas. Assim, surgiram expressões complexas e hoje posto textos só meus. Estive pensando em minha mania de agendas.. tenho várias e sempre foi algo quase vital pra mim tê - las. Escrever, me expressar! Em meio a cópias de poemas que eu adorava e " PS's " à vontade, pouco criava no início do blog. Tudo ficou mais parecido com minhas antigas agendas quando fui descobrindo a graça de escrever pra ninguém e mesmo assim, alcançar as pessoas. Meus escritos muitas vezes não tem porquê. São vivos a partir do momento que são lidos, e cada um vê o que quiser. Que baderna, não? (Favor não comparar às mensagens pessoais do msn). Às vezes escrevo apenas para não desperdiçar aquele motivo. Invento alguém e escrevo pra ele, só pelo prazer de provocar alguma coisa que nem pretendi provocar. (Des)Pretensiosa.. É só uma nota de qualquer coisa.. Se fosse uma agenda, rasgaria essa folha ou desenharia em volta. Escrevi só pra não ter a obrigação de rimar ou seguir o compasso do texto. Só pra virtualizar meu jeito agendado de ser.

À Desvontade.

À desvontade foi deixando.
Foi crescendo, foi tomando,
Já não sabe mais o que é.
Foi um encanto, um feitiço?
Um quadro raso, bonito,
Cuja moldura quebrou
Derramando a imagem.
À desvontade largou as rédeas
Solto na estrada.
Estava caminhando só.
E agora, só com ele mesmo!
A desvontade meteu - se na história
Pendurada nos ponteiros
Pra camuflar o tempo
Interromper os desejos
Deixar as portas abertas
Pra tudo passar, sem pensar
E ela não ser questionada,
Ficando, morando, plantada
A desvontade de mudar...

Ps: A mudança confundida.


Segunda-feira, Setembro 14

TV - Te Vê!


A TV ligada
Blusão, no chão descalça

Mão no copo, água gelada
Frio nos dedos, na boca,
por dentro na alma

Esta sala que faz eco...

Prazo de validade à solidão.

Em qual das mãos está escrito?

A TV ligada.
Uma caixa, companhia, madrugada

Essa casa gelada

Essa boca sem voz

A alma descalça no chão

Qual o prazo de validade?

A TV ligada.

Na calçada, passadas

Nenhuma termina no trinco da porta.

Esse modo de viver

De conviver pela metade

Qual o prazo de validade?

Palavras geladas no peito.
A TV ligada no centro da sala.

Sem gente, só um corpo oco

Aos poucos, 1 dia pode ser nada

O copo no chão
,
Das mãos, água na cara.

Um oco na alma

E uma fé estranha

Aquele peito guarda..

Botão de TV. Desligada.

Mais uma noite sem fim.
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