Das Dores nem sentia mais
Angústias que guardava em si
Com seu rosto frio explicava
Coisas que não precisavam
De nenhum pingo de razão.
Suas dores não gritavam mais .
Queria mais que entendimento.
Isso, em cada choro guardado no peito
Já havia alcançado, agora era passado
E hoje o esperado era agir.
Da Dores desfez as amarras
Seguiu para o campo de flores espinhosas
Passava sem medo entre as braçadas
Sentia sua pele-alma ferida.
Mentia, mas as verdades escapavam
Mesmo sem querer, sem precisar..
Hoje todas foram libertadas
Das Dores saiu dentre as flores
Cheia de marcas e um sorriso intruso
Sangrando e de lágrimas velozes..
Batismo segundo, e necessário
Como Das Dores tantos outros
De vestido rasgado, peito sangrando
Mas na cara, um sorriso de ouro
Que nunca trocaria por nada
Nem pra salvar o vestido
Nem manter a pele alva.
Das dores, os sorrisos largos
E a compreensão de ser autenticamente humano






