Segunda-feira, Janeiro 9

Mosaico



Por entre as folhas, uns galhos. Cacos de textos e palavras, aos pedaços! Estilhaços de verbos invocados, que não respondem. Desenhos sem arremate pra, quem sabe uma caneta encontrar. Colorido, confuso e organizado, meu mosaico de sentidos, misturados! refletidos nos pedaços de espelho, vidro e azulejos do meu mundo escancarado. Cola, descola, nessa falta de inspiração, memória, corto as pontas dos dedos encaixando pedaços onde não cabe. Um todo não é simples junção de partes. Mosaico novo, com os teus pedaços tortos,  bem assim como me sinto agora. A minha inspiração espera a sua aurora, para que outra vez me sinta merecedora das palavras e sentidos de novo.

Segunda-feira, Janeiro 2

Noar



Solto, mas tão solto, que não posso caminhar. Solto, mas tão solto, que paraliso perante a janela, a esquina fica a mil léguas, nem mesmo o pensamento pode alcançar... pois estou solto. Dizem que deixado assim: leve. Mas, na falta de gravidade, o impulso se perde e minha feição admite o desespero de quem se viu preso em liberdade. Dentro das mãos um bilhete: quem sabe um  hobby novo? - descuido explícito. Barco à deriva não volta ao porto, onde a pretensa liberdade faz questão de não te deixar ficar. Procuro e já não te ouço. Suportar a mim mesmo, suporta pelo outro que ainda é outro sem mim, admito. Noar.. Noar.. Terra chamando! Câmbio, desligo.


DCD ofereceu-me o sentimento
comprei o desafio e lacei as palavras.

Domingo, Dezembro 11

Dívidas


Tenho medo de que você vá. Mas tenho mais medo ainda da tua inexistência ainda em vida, da falta que faz sem eu perceber e de acostumar-se a negar que a sinto e que não me permito sentir mais. Tenho medo da ilusão do que existiu, medo que falte o perdão, medo das entranhas laceradas pelo silêncio das palavras, pelo vazio do abraço. Pela ausência. São tantos ciclos abertos, fragmentos de amor, de amizade. Incógnitas passageiras na tua expressão, nas tuas mãos, nos teus silêncios. Eu não sei mais ser irmã. Não sei se soube algum dia, mas são tantas dívidas que fechei a conta. Os enigmas que permeiam nosso encontro são duros, longos.. longos demais. E eu nunca vi nenhum deles cair no chão. Talvez eu tenha me enganado em alguma bifurcação da nossa estrada. Talvez tenha feito escolhas certas, outras bem erradas, mas acho que nunca vou saber. Vejo meus defeitos em você. Ou, como deve estar fazendo análise de mim agora, apenas projeções. Meu velho amigo, tão velho quanto papiro, não queria te jogar em um copo de vinagre. É duro admitir nossa distância. É mais doloroso ainda admitir a ignorância do que aconteceu. Mas, como você sempre diz, tudo que acontece, tinha de acontecer. E nossa amizade aconteceu, assim como também o nosso desencontro.

São muitas dívidas, pra pouco desconto.

Sexta-feira, Dezembro 2

Blogosfera SoL # 2

Imagem retirada por meu Pai (aquele que tem 3 metros do post:
Teste de Paternidade) no Sertão da Bahia. Flagra mais lindo do mundo.


Olá pessoas, como vão ? Nunca mais fiz um post indicando alguns blogs, então acho que essa sexta valia uma imagem dos meus arquivos e alguns links que descobri. Tenham um excelente final de semana! 

1. Blog do Jair Freire
2. Blog Mil Palavras, Um Pensamento
3. Blog de tirinhas, Um Sábado Qualquer  (ADORO!)
4. Blog Benditas Palavras Benditas


Segunda-feira, Novembro 28

O Espelho



O espelho onde me vejo está manchado? Está. O espelho onde me vejo, eu sou capaz de limpá-lo. Será? Onde encontro os erros teus, são também os erros meus, o embate das trevas que não posso dissipar. Embassado e deslocado, meio torto do lugar, eu vejo as cruzes e as cicatrizes velhas que eu não sei maquiar. Se mexem a cada ciclo da lua. Um soco no espelho não alivia o pesadelo lúcido de encontrar em mim o que renego. Cada caco me torna cada vez mais nua. O espelho é o avesso e meu inteiro que não quero resgatar. É a verdade descarnada, a juba do ego aparada, e pronta pra mudar de novo.