quarta-feira, setembro 28

Ipê Amarelo


O vento está sempre ao contrário
A sua volta, é minha partida
A sua chegada é minha ida
Os meus olhos são atores
Que esqueceram as margaridas

O vento está sempre ao contrário
O remador não sabe o norte
As ondas altas cobrem o forte
Encontro seres do mar, inventados
Recorro à Nossa Senhora da Morte

O vento está sempre ao contrário
Nego a rendição perante o fracasso
Quando voltas pra terra, estou no mar alto
Quando a tua maré baixa, sou pescador
De palavras e gestos descombinados

O vento está sempre ao contrário
Traz tudo de inoportuno, pelos lados
O tempo não cura o Ipê Amarelo
A raiz tornou-se algo assim, complexo
E passa o tempo todo mudando de folha

O vento está sempre ao contrário
Os tesouros no mesmo chão enterrados
No mar, sou missionário do remorso
Você é pirata de tudo que não mostro
E minha escolha é sempre o cardeal oposto ao teu.

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